Minha viagem de Belo Horizonte até Genebra

Estava eu trabalhando em um salão de beleza aonde me sentia realizada. Ganhava um salarìo que era bom em relação ao salario que se ganha no Brasil mas nao dava para realizar o meu grande sonho que era de comprar uma casa propria para os meus filhos. De repente, recebi um telefonema da minha irmã que ja morava há anos na Suiça, pensei que estava chegando o resultado dos meus sonhos. Ela me disse que havia arrumado um emprego na casa de uma suiça, que ei inha ganhar um salario equivalente a 6 mil reais no Brasil. Fiquei toda entusiasmada, tudo aconteceu tão rapido. Quando vi, ela ja havia comprado minha passagem, me mandou ir a empresa “uai” tirar meu passaporte. Na epoca, estava fechado o lugar que se tira os passaportes na minha cidade mas ela me orientou a procurar um amigo delapara que colocasse meu passaporte na frente. Resumindo, tudo saiu como ela queria. Na epoca, meu ex-marido não queria que eu viesse para a Suiça, minha ex-patroa me deu varios conselhos mas eu so pensava no meu sonho de poder comprar uma casa para os meus filhos. Nunca sonhei ter muito dinheiro, so de poder ter uma casa para eles. As passagens foram enviadas por email para o dia 13 de fevereiro de 2017, eu ia de Belo Horizonte até o Rio de Janeiro, do Rio de Janeiro para Roma e depois para Genebra e la fui eu. Nossa! Foi tudo muito diferente, tanto tempo dentro de um avião sobre o oceano. Na minha cabeca, eu pensava que tinha de ser forte, seria melhor para os meus filhos. Quando cheguei a Genebra no dia 14 de fevereiro, minha irmã ja me esperava no aeroporto e a primeira noticia que ela me deu que não havia mais emprego, mas ela me disse que precisava de min para que eu ficasse com a filha dela. Eu pensei: “ja que estou aqui, tenho que aproveitar a oportunidade”. Pensei que seria so um mar de rosas, mas quando o tempo passava, eu vi que as coisas não eram tal que eu imaginava. Estava trabalhando e ganhava muito pouco (500 francos) em relaçãoao salario oferecido pela função que eu exercia em Genebra. Estava longe da minha familia e nem podia com o salario que eu recebia oferecer uma vida melhor a eles no Brasil, sem contar que sempre ouvia do meu cunhado que eu era “bem paga”, isso porqueeu morava na casa dele, comia e bebia. Para piorar as coisas, ele era bipolar. Alguns finais de semana, eu tinha que ficar o tempo todo dentro do quarto porque ele não estava bem, não podia barulho que incomodava ele. Foram 365 dias desse jeito até que um dia eles não precisaram mais do meu trabalho porque arrumaram um jeito de não me pagar mais. Eles trouxeram a minha mãe para trabalhar sem remuneração. Simplismente chegaram e me disseram que a minha mãe estava vindo. Na hora, tinha que arrumar um lugar para ficar, saí com as minhas malas sem rumo. Tinha que ir até um salão para receber uma encomenda. Quando cheguei com as malas na mão e que o cabelereiro me viu daquele jeito cheia de malas, ele me chamou para ir morar na casa dele mas eu precisava de arrumar um trabalho o mais rapido possível. Foi a partir desse momento que veio as dificuldades de eu não saber falar francês. Quando eu conseguía ter uma entrevista, era sempre complicado. Hoje em dia, eu sinto que a situação está melhorando, há pessoas que estão do meu lado e tenho fé que um dia eu estarei muito feliz e que irei esquecer esse episodío da minha vida.

Anonímo